domingo, 31 de maio de 2009

Verão

Só o Verão é a verdadeira vida.

No Verão a casa cheira a pinheiros. Nos corredores cheira a árvores e há vento. Há vento dentro de casa, e parece tão natural que dou comigo a nem me lembrar que não é sempre assim.

Oiço o vento. Carregado com sons de coisas a aconter. Coisas a acontecer dentro do próprio vento.

A cozinha da minha casa no Verão cheira a louro e a temperos e à minha mãe.

No Verão a rua e a cidade cheiram a família. Como as casas das famílias em que cada casa cheira de sua maneira - cheira àquela família, e sempre que lá vamos cheira a eles - e nos prédios o cheiro sente-se até do lado de cá da porta da rua, como nos meus visinhos de baixo da casa da Costa, em que todo o primeiro andar cheirava a eles, e na minha varanda, que dava para o quintal deles, cheirava também.

No Verão a rua cheira aos cheiros misturados de todas as famílias de pessoas. Talvez por as pessoas estarem todas de janelas abertas, ou por andarem todas na rua (adoro ver pessoas na rua, assim frescas, com pouca roupa).

No Verão, quando durmo de janela aberta, cheira a noite, a quente e a cidade, e consigo saber tudo o que se está a passar lá fora só pelos cheiros - e também pelas buzinas e pelos gritos das pessoas felizes.

Também gosto de gritos no Verão. Todos os gritos no Verão são bons. Não consigo imaginar um grito incomodativo no Verão. São sempre de felicidade.

4 comentários:

Mayra disse...

Não tenho nada a dizer, excepto que eu poderia perfeitamente ter escrito esse texto. Com as mesmas palavras.

;)

O Homem Terra disse...

Tenho a certeza que sim :) com uma única diferença - se tivesses sido tu a escrevê-lo, te-lo-ias escrito melhor.

Aurora disse...

há quem ache que os ser humano existe para se reproduzir

mas ele existe principalmente para apreciar o bom tempo

como uma lagartixa.

O pedra-moço disse...

Ahahahahahahahah