domingo, 28 de dezembro de 2008

A beleza

Ela toca-me todas as noites.

Antes de dormirmos, abraça-se-me à alma ensinando-me a ser eu.

Ela, a Mulher.

Uma mulher tão perfeita que qualquer coisa que lhe chame é um elogio à palavra que se uso. Não tenho como elogiá-la, e é por isso que lhe ofereço poemas. Poemas dos maiores mestres, já que os meus já são todos dela. Já que não a posso elogiar, ao menos elogio os poetas que há tanto tempo queria mas não podia por não ter como. Com ela consigo. Até isso ela me deu. Uma poesia maior.

Fico sempre em silêncio quando estamos juntos. O maior de todos os presentes, o presente silencioso. Porque o meu silêncio mais o silêncio dela tudo preenche.

Uma pessoa tão linda assim deve comover-se quando se olha ao espelho. Talvez não se consiga pentear sem se etenecer um pouco. Talvez seja por isso que muitas mulheres bonitas se tornam frias e insensíveis. Têm de ser assim, para não chorarem ou se beijarem no espelho todas as manhãs.

Mas não esta mulher e é por isso que se mantém linda. Ela não sabe que o é. Eu ter vindo ao mundo tem como única função explicar-lhe.

2 comentários:

Mamá disse...

Se essa mulher te deu poesia, sei que também ficou sem ar, por tua causa. Tu tiraste-lhe o fôlego só para ensiná-la a suspirar para viver.

O Homem Terra disse...

E eu suspiro por ela todas as noites.