quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vem aí a crise II

Ontem, no dia em que a bolsa de São Paulo caiu 15%, pesquisei no Google "blosa de São Paulo cai". Por lapso (ou talvez não e o Freud tenha uma explicação para isto), escrevi blosa e não bolsa. Logo o Google me perguntou se eu não procurava antes Blusa de São Paulo Cai.

Temos inevitavelmente de ler nisto um sinal dos tempos. As pessoas andam à procura de blusas, quais bolsas? O mundo está é com falta de amor, não de bolsas. Façam cair as bolsas e as blusas! O povo quer amar-se.

Mas os portugueses estão bem preparados para a crise. Estão sim senhor. Ontem, o Ministro das Finanças de Portugal - Teixeira dos Santos - disse que os portugueses podem estar descansados porque caso haja uma recessão económica, as suas poupanças no banco não serão nunca ameaçadas.

Todos sabemos que, nos países realmente capitalistas, se houver recessão, nenhum governo tem dinheiro para restituir a todos os seus cidadãos as poupanças que tinham no banco. Excepto em Portugal. E porquê?

Porque nenhum português tem poupanças. Que poupanças? Onde é que no mundo inteiro há um português com poupanças? Os portugueses são um povo sério, um povo que faz mover a economia, um povo que consome. Poupar para quê? Aliás, poupar o quê? O dinheiro que não temos? Os portugueses consumiram e gastaram o dinheiro que não existia, mas o banco disse-nos que não havia problema. E assim sendo, está tudo bem.

Os portugueses estão bem preparados para a crise. Até porque nunca viveram de outra maneira. Crise? Que crise? Para os portugueses esta crise vai ser como ginjas. Crise... Só se formos todos viver para refugios nucleares subterrâneos é que passa a ser mais crise que agora. E só porque deixamos de poder ver o mar enquanto pensamos na vida, senão nem assim era crise. Há o Canal Benfica no refúgio?

É por isso que acho que os portugueses deviam ser destacados e enviados para todo o Mundo. Em pequenos grupos, de talvez cinco portugueses para cada aldeia do mundo, iríamos dar formação e aulas de como viver na crise. Todos os grupos seriam acompanhados de alguns assistentes brasileiros, talvez vinte, que, já bastante treinados por nós ao longo de uns séculos, ensinariam as pessoas do mundo inteiro os prazeres da vida - a cantar, a dançar, a cozinhar, a fazer amor - e por alguns angolanos e moçambicanos, talvez dez, que iriam ensinar aos povos do mundo o que é realmente divertir-se com poucos meios e até não poder mais e a como ter estilo com roupa barata.

E assim a lusofonia encontraria uma vez mais a sua função ancestral na caminhada cósmica e milenar da raça humana.

Já repararam como na nossa língua amar é quase igual a a mar? Como se significasse fazer-se ao mar? Melhor, como se significasse fazer-se mar? Fazer-se de novo em mar, de onde todos nascemos? Devolver-se ao mar, ao caos, no amor? Todos nascemos do mar e do amar dos nossos pais. Isto não é um acaso.

O que vais fazer agora? Vou a mar.

2 comentários:

Mamá disse...

Olha, só posso te dizer que para nossa sorte, as blusas ainda caem mais que as bolsas aqui em São Paulo!

E tenho uma proposta a fazer. Por que não juntamos os moradores da cidade de Duas Janelas, mais um amigo internacional São Paulo-Lisboa-Nova York, os amigos angolanos, o pessoal "we´re from Massamá" e fazemos uma delegação bem feliz que corre o mundo afora?!

Não ia ter depressão que não sucumbisse a essa excursão eufórica e sonhadora!

Quem se habilita?!

O Homem Terra disse...

Acho essa ideia um sonho de vida! Estava a espera de mais receptividade à ideia, mas assim parece que temos de ir sozinhos... o que não é mau , ahahaha.